Espicaçando o Marketing

Em tempos bicudos, de transformações e mudanças, há que espicaçar. Quem pode espicaçar? Todos e cada um que tem um mínimo de discernimento do presente e sabem que à semelhança do que aconteceu com o Titanic, não tem sentido continuar tocando na orquestra.

sexta-feira, março 31, 2006

Como assim "outro"?


Acho que sou o mais novo porém o mais conservador. Não acho que seja uma questão de pensar como o Tom Peters e sair por aí virando tudo de ponta cabeça.

Acredito que apesar de entendermos e concordarmos que o consumidor mudou, continuamos falando com seres humanos com atitudes, comportamentos, idéias e necessidades; mas com uma mudança de atitude profunda, que faz com que todo o resto seja diferente também. Desse jeito, talvez não se apliquem mais as mesmas técnicas de pesquisa de mercado mas é indiscutível a necessidade de fazê-lo.

Perguntando apenas, dificilmente os consumidores apontariam a necessidade de um tocador de mp3 com um menu circular. Mas se olhamos com um pouco mais de atenção, notamos que as necessidades de produtos com design atraente, individualidade, mobilidade e diversão que viabilizam o iPod são constantes hoje em dia. Foi uma boa idéia que coroou o produto.

Pode mudar o que quiser, é a inventividade e a criatividade que serão sempre condições para o sucesso.

Por que Marketeiros usam preto


O Marketing Morreu!

Como nós o conhecemos e como não o conhecemos. O Marketing que nos serve, já não serve mais. Morreu o Marketing com todos os seus princípios, suas regras imutáveis, seus conceitos fundamentais, seus parâmetros, seus axiomas, seus absolutos.

Morreu o Marketing, juntamente com todo o cinismo eschisperto e malandro. Morreu o Marketing com a falência de estrategemas, da enganação, da maquiagem, da dissimulação e da mentira.

Morreu o Marketing Lobyista incrusive.

Morreu o Marketing com seu comando e controle. Um modelo que coloca o cliente no centro do alvo pra dar porrada, pra acertar as flechas-balas-bombas. Pra agredir o target até a exaustão.

Morreu o Marketing do curto prazo, dos resultados rápidos e avassaladores. Morreu o Marketing de verbas ilimitadas e imprudentes. Morreu o Marketing do passo a passo, certinho, 'by the book', da fórmula pronta, aquela de conquistar mecanizada e aprimoradamente o consumidor.

O consumidor mudou e o Marketing continua a enviar junk mail para o velho endereço. Esse antigo destino - até o carteiro não se incomoda com os nixies.

Já em 2003 eu escrevia que:
O Brasil tem um dos melhores serviços de atendimento a cliente do mundo, concebido em princípios de respeito e cidadania. Há um monitoramento complexo e extenso do sentimento e da natureza dos serviços e produtos consumidos. Há uma clara evolução - imposta por lei ou criada na consciência empresarial - não importa. O fato é maior que sua história.

TRIIIIIIMMMMMMM

Ainda hoje, não acordamos para um fato singelo: o consumidor é inteligente e seletivo. Tem consciência de seu poder - aquele de compra, e mais outro, de divulgação.

E ainda hoje ele é quem tem que correr o risco: Pague e depois se conseguir, reclame!

Só que esse indivíduo é exatamente isso. Pra empresa mais um, só que no mercado ele é um indivíduo: único e exclusivo. E cuidado com ele, pois seus mecanismos de defesa e de reação estão extremamente afinados.

E o Marketing? Quer continuar a brincar de guerra, de bombardeio, de cobertura, de alcance, de impactos, de interrupções ...

Num grande front light na Marginal Pinheiros em São Paulo, uma das Agencias filhotes dessas Agencias grandonas, a QG esclarecia sua missão: NÓS ACHAMOS O CONSUMIDOR ONDE ELE ESTIVER.

Não é Agencia de Detetive, não é Serviço de Cobrança, é o Marketing Moribundo dando seus últimos suspiros.

A mim, e a milhões como eu, vocês não acharão. Não somos consumidor - e desse jeito nem cliente seremos. Não somos números, não somos extratificações demográficas segmentadas.

TRIIIIMMMMM - acorde!!!

Todo o dia tenho exemplos. Todo dia você tem exemplos. Não é escorregadela. É ausencia de pernas, de força pra se sustentar, pra ficar de pé. O Marketing está estatelado no chão: morto!

Como diz Christopher Locke em Marketing Muito Maluco, devemos aplicar as piores práticas. Devemos realizar o Gonzo Marketing - o antimarketing.

Há três anos que venho dizendo: O prazo expirou. A coisa ficou azeda. Esse negócio tá pra lá de velho.

Meus amigos, marketeiros como eu! Estamos de preto porque o Marketing Morreu!

quinta-feira, março 30, 2006

Venha espicaçar conosco


Espicaçando o Marketing

Existem algumas palavras esquecidas na língua portuguesa que, de tempos em tempos, aparecem de volta em um texto inteligente, numa fala incomum, numa situação inusitada. O verbo espicaçar é uma delas e surgiu numa troca mensagens entre alguns amigos marketeiros que eu tenho, num projeto de discussão séria e conceitual sobre o marketing.

Para lhes poupar o trabalho de ir buscar um dicionário, aí vai a definição : Espicaçar, segundo consta no Houaiss é 1- furar muitas vezes e em muitos lugares; 2- furar repetidamente ou picar com instrumento agudo; 3- tornar aceso, vivo, desperto, atiçar; 4- infligir mágoa, sofrimento a alguém,afligir, magoar, torturar.

Há um dito que afirma que pessoas inteligentes falam sobre idéias; pessoas comuns falam sobre coisas; pessoas medíocres falam sobre pessoas (tentei encontrar o autor da frase, mas não achei, se você souber, me avise).

Acreditamos que o marketing atual está muito preso a discussões sobre pessoas (os marketeiros) e fatos (sempre remoendo os cases que se repetem ad nauseam) e, por isso, começamos a discutir uma forma de voltarmos a ter debates mais conceituais que nos permitam praticar um marketing de mais qualidade e que seja efetivamente ético.

Nossa idéia é a de ter um espaço em que as idéias prevaleçam sobre o achismo. O início desse movimento (se é que esse é o melhor nome para o que estamos fazendo) foi o de criar um blog aberto a esse tipo de discussão, cujo nome é exatamente “Espicaçando o Marketing”. Outras ações e atividades foram pensadas e estão em fase de planejamento operacional. Em breve vamos falar a esse respeito.

A acepção de espicaçar que escolhemos é a de tornar aceso o debate e não simplesmente atirar pedras para todos os lados, mesmo porque, sabemos que o nosso telhado também é de vidro e a nossa prática está sujeita a sucessos espetaculares e desastres catastróficos, logo a acepção de infligir mágoa a alguém está descartada.

Por enquanto somos 5 (nem 3 por que não somos mosqueteiros, nem 4 porque não somos cavaleiros apocalípticos) : eu, Alexandre Chumer, Carlos Pougy, Marcelo Perrone e Volney Faustini. Uma boa amostragem do marketing com idades variando de menos de 30 a mais de 60 anos e experiências bem diversas.

O espaço é aberto, mas não é a casa da sogra, parceiros serão bem vindos, engraçadinhos serão desconsiderados. Você sempre é bem vindo.

terça-feira, março 28, 2006

Explicando o inexplicável


Não se trata de mais uma teoria da conspiração. Até porque ainda não houve mortes, não há uma 'agencia central' e nem tão pouco o tema é tratado como tabu. Mas à sua semelhança ou como um primo pobre, existe sim uma regra não escrita e ao que tudo indica telepaticamente combinada para não se balançar o barco.

E o que é mexer nas estruturas ou nos alicerces? O que é contestar o status quo e confrontar essa política dominante do Marketing, da Propaganda e Publicidade, da Comunicação Empresarial? O que é ser criativamente diferente num mercado monolítico? O que é buscar novas fórmulas, novas abordagens, novas estruturas, novas posições? Com certeza é ser muito mais que inovador - termo memeticamente transformado em panacéia e vazio de valor e significado.

Só há um caminho aparentemente doido para os tempos de loucuras aviárias - espicaçar o monótono monotone da mesmice.