Espicaçando o Marketing

Em tempos bicudos, de transformações e mudanças, há que espicaçar. Quem pode espicaçar? Todos e cada um que tem um mínimo de discernimento do presente e sabem que à semelhança do que aconteceu com o Titanic, não tem sentido continuar tocando na orquestra.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Será que realmente existe uma Geração Digital?


A revista Exame (edição 875), em sua matéria de capa, quer nos levar a crer que sim.

Se pegássemos do ponto de vista da sociedade, há duas décadas passadas – talvez aceitaríamos mais facilmente. No entanto, as nove páginas, noves fora, vai dar zero. Ou seja, zilt de contribuição para a discussão do “como tentar conquistar os consumidores jovens”.

Compare: ir a um hospital e ser examinado por uma máquina antiga de raio X com fazer uma tomografia computadorizada. A revista simplesmente tentou enxergar com olhos do passado.

Alguns descuidos: não se controla em formato estruturado (chamamos de top-down) a mensagem. Vide inclusive a postagem anterior do Perrone.

A internet como internet não é canal de comunicação – é uma praça de conversas. Nenhum amplificador vai fazer os jovens (obrigado pela parte que me toca) – ou melhor os internautas pararem suas conversas para prestar atenção.

Na economia digital (fica bem umas fotos de jovens sorrindo com i-pod na mão e fones por baixo dos cabelos) NÃO se admite esses tipos de ERROS:

- Globos oculares (no sentido de audiência);

- Atrair consumidores (como se pudéssemos controla-los – no mesmo parágrafo cita: “O consumidor assumiu o controle”);

- Usuários de sites (não há como ‘prender’ o sujeito como refém – exceção para a Natascha, que não tinha acesso à internet);

- Consumidor de amanhã busca sua publicidade preferida na internet (sic);

- Celular como mídia (nem no sentido estrito);

- Orkut como mídia (nem no sentido amplo);

E por final, uma pérola para mais que comprovar que o raio X não examinou nada:
“ ... Orkut ... é campeão de popularidade entre os que querem matar o tempo no escritório e no colégio.”

domingo, setembro 10, 2006

Social Marketing


A Jupiter lançou uma nova área de pesquisa em “Social Marketing”. Confesso que não entendo pra quê. Segundo eles é para informar aos seus clientes “how best to use the social media phenomenon for marketing and advertising“. E terminam o anúncio com “Feel the hype. Embrace it“. Os caras foram longe demais.

Porra, é indiscutível pra mim a relevância que o conteúdo produzido pelos internautas tem. A publicação que o Estadão faz do NYTimes da semana passada falava sobre a ansiedade da MTV vendo seu público migrar para estas comunidades. Enquanto a Jupiter e outras empresas se dedicam a analisar como funciona o fenômeno, tudo bem.

Mas por favor, não vamos tornar isso uma “técnica de marketing”, criar mais uma buzzword e fazer com que um monte de incautos e vigaristas comecem a sair por aí abrindo empresinhas especializadas nisto ou naquilo.

Vejam estes caras da E-Life, por exemplo: eles vendem um serviço que monitora a Internet e diz pro cliente deles como sua marca e seus produtos são vistos pelas comunidades de usuários da Internet. Além de pretensão é muita inocência (ou burrice, ou malandragem) achar que alguém consegue monitorar a Internet para dizer o que se fala de uma marca ou de um produto. Pior, vender isso como um serviço.

Isso porque:

1. Eu não consigo entender - do ponto de vista de pesquisa - qual a relevância de uma informação que uma pessoa coloca no Orkut: quem é o emissor (qual o seu perfil e quanto ele é reconhecido por seus pares), quem são os receptores (qual o seu perfil e qual a sua importância para a marca), etc. Sinceramente, até onde meu conhecimento de pesquisa de mercado me permite compreender, a informação que uma empresa dessas coleta neste contexto não serve pra nada.

2.É inviável alguém se propor a “monitorar a internet”. O e-Bay não consegue, o FBI não consegue. Como é que os caras vão conseguir? O princípio todo da Internet é ela ser livre, aberta, caótica até.

3.Todos os exemplos que eu vi até hoje que mostram a suposta relevância comercial de se monitorar a internet partem da premissa de que o SAC da empresa não funcionou (como o caso das trancas Kryptonite). Oras, que se invista no SAC, num Ombudsman mas ficar pagando macaquinho pra catar comentário no Orkut?

Eu não compro e acho que as pessoas deveriam pensar mais vezes antes de comprar.

domingo, setembro 03, 2006

Salve o Corinthians


Espero provocar polêmica. Se vier um pouco já estarei satisfeito. Vamos quebrar o marasmo deste blog. E nada melhor do que usar a grande paixão brasileira (o futebol). Aviso de antemão que, realmente sou corinthiano!

O que o timão tem a ver com Marketing? Eu já respondo TUDO! E não é pataquada.

O domingo foi forte em símbolos. Primeiro o da vitória indiscutível do Brasil de Dunga sobre a Ar’he’ntina (Tevez incluso). Segundo a forte subida do Timão no Campeonato brasileiro, após vencer a Macaca (apelido carinhoso da Ponte Preta). Pra quem não sabe, o Coríntia estava perigando entre os quatro piores classificados do Campeonato Brasileiro – o que poderia custar-lhe o rebaixamento (perdendo o direito de disputar partidas nobre$).

E?

E ... que, Marketing tem a ver com PESSOAS (dizem que é o quinto P do pós 4 P’s­). O que não faz um time azeitado e bem motivado? E essa é a grande lição para todo e qualquer marketeiro. De nada adianta campanhas, criatividade, investimentos em mídia e respostas. Tem que ser fazer o básico: preparar as equipes internas. Se de um lado temos o pessoal de frente – que atua diretamente com os clientes, há o pessoal de retaguarda que deve servir a turma da frente. Ou seja, quando é todos, queremos dizer todos! Há uma necessidade clara de se operar em time. É isso que fez a diferença no domingo para o Brasil pós-Alemanha-Copa-Parreira.

Kaká expressou bem após o jogo: “Se precisar lutar para ser titular, não tem problema, vamos lá. É importante que o critério seja coerente”.

No jornal de domingo, Leão – técnico do Corinthians, dizia que finalmente “o ambiente está muito bom” referindo-se a saída dos argentinos que certamente desestabilizavam o timão (apesar de seus talentos individuais), e ao trabalho de arredondamento que realizou entre os jogadores.

Tenho enfatizado em diferentes ocasiões que a Inovação de uma empresa tem que necessariamente passar pelo people care. É uma das bases essenciais da transformação positiva da empresa, de suas vendas e de seu marketing. A importância da liderança, do clima organizacional, do desenho de processo adequado a perfis, pessoas e capacitação é essencial para a competitividade da Empresa Moderna.

Salve o Corinthians? Também! Mas salve primeiramente a sua equipe, o 5º P, o P das pessoas.