Espicaçando o Marketing

Em tempos bicudos, de transformações e mudanças, há que espicaçar. Quem pode espicaçar? Todos e cada um que tem um mínimo de discernimento do presente e sabem que à semelhança do que aconteceu com o Titanic, não tem sentido continuar tocando na orquestra.

domingo, setembro 10, 2006

Social Marketing


A Jupiter lançou uma nova área de pesquisa em “Social Marketing”. Confesso que não entendo pra quê. Segundo eles é para informar aos seus clientes “how best to use the social media phenomenon for marketing and advertising“. E terminam o anúncio com “Feel the hype. Embrace it“. Os caras foram longe demais.

Porra, é indiscutível pra mim a relevância que o conteúdo produzido pelos internautas tem. A publicação que o Estadão faz do NYTimes da semana passada falava sobre a ansiedade da MTV vendo seu público migrar para estas comunidades. Enquanto a Jupiter e outras empresas se dedicam a analisar como funciona o fenômeno, tudo bem.

Mas por favor, não vamos tornar isso uma “técnica de marketing”, criar mais uma buzzword e fazer com que um monte de incautos e vigaristas comecem a sair por aí abrindo empresinhas especializadas nisto ou naquilo.

Vejam estes caras da E-Life, por exemplo: eles vendem um serviço que monitora a Internet e diz pro cliente deles como sua marca e seus produtos são vistos pelas comunidades de usuários da Internet. Além de pretensão é muita inocência (ou burrice, ou malandragem) achar que alguém consegue monitorar a Internet para dizer o que se fala de uma marca ou de um produto. Pior, vender isso como um serviço.

Isso porque:

1. Eu não consigo entender - do ponto de vista de pesquisa - qual a relevância de uma informação que uma pessoa coloca no Orkut: quem é o emissor (qual o seu perfil e quanto ele é reconhecido por seus pares), quem são os receptores (qual o seu perfil e qual a sua importância para a marca), etc. Sinceramente, até onde meu conhecimento de pesquisa de mercado me permite compreender, a informação que uma empresa dessas coleta neste contexto não serve pra nada.

2.É inviável alguém se propor a “monitorar a internet”. O e-Bay não consegue, o FBI não consegue. Como é que os caras vão conseguir? O princípio todo da Internet é ela ser livre, aberta, caótica até.

3.Todos os exemplos que eu vi até hoje que mostram a suposta relevância comercial de se monitorar a internet partem da premissa de que o SAC da empresa não funcionou (como o caso das trancas Kryptonite). Oras, que se invista no SAC, num Ombudsman mas ficar pagando macaquinho pra catar comentário no Orkut?

Eu não compro e acho que as pessoas deveriam pensar mais vezes antes de comprar.

2 Comments:

Blogger Volney Faustini said...

Perrone, boa contribuição!

É por isso que temos que discutir muito mais a ecoomia digital e os caminhos do marketing.

O caso da Kryptonite é exemplar na miopia e na arrogância empresarial. Um bom conselho nos tempos de hoje é: "coloque as barbas de molho".

7:36 AM  
Blogger Roberta said...

Serio que vc não entende como o Orkut pode funcionar para monitorar isso? então dá uma olhadinha na minha comunidade *Reclamar Adianta* no ORKUT. Ela pode ter menos de 10 pessoas inscritas, mas pode ter certeza de que muuuuiito mais gente leu e tomou ciencia da cartinha que enviei para a NET. Se vc estiver curiosa sobre o que foi, o que aconteceu, como foi solucionado.. De um pulo lá e leia! Vale a pena... Afinal, Reclamar Adianta!!

12:53 AM  

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